Vanderlei, nós e a inocência de todos os dias

Vanderlei, nós e a inocência de todos os dias

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“A república dos inocentes”, quarto livro de Vanderlei Francisco Silva, será lançado na Feira do Livro de Santa Cruz do Sul dia 9 de setembro, às 14h, retratando uma realidade que todos nós presenciamos diariamente

A literatura tem o poder de mexer com a imaginação, nos fazer pensar, refletir, se emocionar… Mas ela pode também incomodar. Inconformar. Nos tirar da zona de conforto. Os livros de Vanderlei Francisco Silva são obras que mesclam realidade e ficção de maneira a tocar em assuntos que, muitas vezes, são encarados como tabus pela sociedade. Ao final da leitura, é impossível não ter aquela sensação de que ainda há muito a ser mudado nos seres humanos e na sociedade.

Depois de ter feito grande barulho no meio literário caxiense com “Os desejos de Maria”, “Pecados permitidos” e “A primeira célula”, Vanderlei apresenta “A república dos inocentes” (Editora Vírtua, 200 páginas, R$ 35), onde conta a história de Hafighi, um palestino que é “descoberto” como um talento do Rugby e, levado à Argentina para praticar o esporte, é exposto a um interminável jogo de intrigas, interesses políticos e econômicos, preconceitos e corrupção.

Na trama, o autor vai ao fundo de cada questão, detalhando bastidores de fatos que, apesar de relatados como ficção, são baseados em fatos reais presenciados por nós todos os dias, mas que preferimos fingir que não vemos. Hafighi, ao longo da trama, se envolve com a bela jornalista Júlia e mergulha em conflitos morais que mexem com sua personalidade. Ao final, o leitor percebe que, por mais que presenciemos há muito tempo tudo que é relatado no livro, seguimos nos considerando todos inocentes. 

Alguns trechos da obra:

Quando o bombardeio acabou, ele carregou o
próprio pai nos braços por mais de cinco quilômetros,
até ser resgatado por soldados sauditas. O entardecer
do sétimo dia de Ramadã foi de silêncio e revolta.
Hafighi ouviu do velho criador de camelos as últimas
palavras, e, mais que um conselho, aquelas palavras
foram uma lição de vida, uma lição de fé.

− E como vou saber que vencerei a licitação?
Confiante, o assessor separou alguns formulários
e abriu-os diante dos olhos ávidos do palestino.
− Como o senhor pode ver, os valores já estão
todos definidos, as cifras da direita que estão em
verde serão depositadas na conta da empreiteira,
que por sua vez dividirá o valor em três partes. E
aí começa nosso negócio. Serão vinte por cento do
montante líquido para a Calderon, quinze por cento
para despesas com seguradoras e mão de obra e o
restante para a aquisição de materiais.

O homem mostrou a pistola russa sob o paletó.
– Entendido?
Hafighi assentiu, sem tirar os olhos do rosto do
outro agente. Os olhos dele falavam de um futuro encontro.
Um acerto de contas, talvez.
– Fique tranquilo. Sei o script – disse Hafighi.
A sala da quinta delegacia de entorpecentes
era suja e sem vida. O delegado, José de Lemos, parecia parte daquele lugar. Antipático, cara sofrida e
objetivo.

capanova baixa frente - Vanderlei, nós e a inocência de todos os dias
Capa do livro. Arte: Editora Vírtua. Modelo: Amanda Kurek
IMG 20180728 170718 - Vanderlei, nós e a inocência de todos os dias
Vanderlei (ao microfone) fala sobre sua obra no 2º Encontro de
Diálogos Vírtua, dia 28 de julho de 2018

Sobre o Autor

Rafael Augusto Machado administrator

Rafael Augusto Machado é proprietário da Editora Vírtua. Especialista em Inbound Marketing certificado pela Rock Content. Formado em Jornalismo, é também professor, designer gráfico e músico.

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